O comerciante e ex-vereador de Sumaré Sirineu de Araújo Santos, de 45 anos, vai a júri popular através do homicídio de Rafael Emídio da Silva, de 39 anos, ocorrido em 19 de agosto de 2023, na Rua José Gomes de Oliveira, no Jardim dos Ipês. A decisão é da Justiça Estadual e foi tomada por volta de dois anos depois de o indiciamento de Sirineu através da Polícia Civil por homicídio habilitado, com recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima.
Na decisão, o juiz do caso apontou haver “indícios suficientes de autoria” para trazer o ex-parlamentar ao Tribunal do Júri. Ainda não existe data definida para o julgamento. Em informe, o advogado de defesa, Alexandre Sanches, informou somente que “a defesa vai analisar com cautela os próximos passos do processo”. Sirineu sempre alegou legítima defesa, afirmando que vinha sendo ameaçado de morte por Rafael Emídio. Ele foi indiciado no mês de março de 2024 através do crime.
Relembre o crime no Jardim dos Ipês
De acordo com as investigações da Polícia Civil e o laudo do IML (Instituto Médico Legal), Sirineu teria efetuado dez disparos contra Rafael Emídio, que foi atingido nove vezes. Em seguida, conforme apuração policial, ele teria atropelado propositalmente a vítima com sua picape.
O atropelamento foi registrado em vídeo, que mostra Rafael, já ferido, se arrastando de joelhos na via pública antes de ser atingido através do veículo do ex-vereador. Quando a Polícia Militar chegou ao local, Rafael Emídio já estava morto, deitado de bruços na calçada.
Apresentação espontânea e investigação
Três dias depois de o crime, em 22 de agosto, Sirineu se apresentou espontaneamente à Polícia Civil e confessou, em depoimento, que havia matado o homem, alegando ter sido ameaçado nos dias anteriores. Conforme o boletim de ocorrência, Rafael tinha extensa ficha criminal e estava em liberdade condicional havia por volta de uma semana quando foi morto.
As investigações ficaram a cargo da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana. “O vereador se apresentou, deu sua versão sobre os fatos, e os investigadores localizaram a arma e a caminhonete, que serão periciados”, afirmou, na época, o então delegado titular da DIG, Lúcio Antonio Petrocelli. A perícia confirmou a presença de sangue humano na parte inferior da caminhonete, e a arma e o celular do autor foram achados às margens da Via Anhanguera.
Como não houve prisão em flagrante, Sirineu permaneceu em liberdade durante todo o inquérito e continua respondendo ao processo em liberdade enquanto aguarda o julgamento através do júri popular.
Declarações públicas do ex-vereador
Em 2024, durante a campanha eleitoral, o ex-vereador voltou a falar sobre o caso em vídeo divulgado em redes sociais. “Eu fiz oito pedidos de segurança para a Prefeitura de Sumaré, eu tenho três BOs na delegacia, tá? Então eu pedi socorro, eu pedi socorro. Ninguém me ouviu, ninguém fez nada. Talvez se tivessem feito alguma coisa, esse cidadão estaria com a vida dele e eu estaria em paz, mas não foi feito”, declarou.
Na época da investigação, Sirineu se licenciou por 60 dias do mandato na Câmara Municipal, mas regressou ao cargo no mês de novembro de 2023, onde permaneceu até o final da legislatura. Em 2024, ele se candidatou de novo a vereador através do PRTB, conseguiu 820 votos e não foi reeleito.
Ex-vereador Sirineu Araújo vai a júri popular por homicídio em Sumaré
Com informações de Tododia

