Isle of Reveries é mais uma daquelas “crias do Game Boy Color”, mas tenta combinar essa inspiração com ideias próprias. A aventura acompanha Lief, uma coruja que parte na direção a uma misteriosa ilha abandonada onde dizem que desejos podem se tornar realidade. A experiência mistura exploração, enfrentamento, masmorras e puzzles em um pacote muito parecido com o saudoso Link’s Awakening.
A proposta funciona principalmente porque o jogo não depende unicamente de referências nostálgicas. Isle of Reveries constrói sua própria identidade ao colocar uma fada ao lado de Lief, permitindo copiar e gerar objetos avistados através do mundo (parecendo bastante Echoes of Wisdom, outra vez citando Zelda).
Essa mecânica aparentemente simples se transforma na base de boa parte dos desafios e dá ao jogo uma personalidade que vai além de simplesmente imitar aventuras clássicas.
Jornada por uma ilha misteriosa
A aventura ocorre em um mundo relativamente amplo, dividido em oito biomas. Cada área apresenta seus próprios cenários, perigos, segredos e elementos de exploração, produzindo uma boa variedade durante a jornada.
A estrutura lembra bastante adventures clássicos: o jogador explora uma área, encontra obstáculos que ainda não consegue superar e precisa descobrir novos recursos ou habilidades para avançar.
Essa sensação de descoberta é importante para o ritmo de Isle of Reveries. O jogo não entrega todas as respostas imediatamente, mas incentiva o jogador a observar o ambiente e pensar em como os diferentes elementos poderão ser usados.
A melhor ideia de Isle of Reveries é a habilidade concedida através da fada que acompanha Lief. Ela permite duplicar e criar objetos avistados através do mundo, transformando elementos do cenário em ferramentas para solucionar problemas. Apesar de não ser tão original, é uma mecânica que funciona.
A mecânica parece simples inicialmente, mas ganha complexidade conforme o jogador descobre novas interações. Um objeto que parece unicamente parte do cenário pode ser exatamente o elemento necessário para abrir um caminho, ativar um mecanismo ou resolver um puzzle.
O mais interessante é que o sistema não fica restrito à resolução de enigmas. Os objetos copiados também podem interagir com outros elementos e até amparar durante os combates. Isso cria uma característica bastante particular: o jogador é ininterruptamente incentivado a pensar sobre o que pode usar para fazer praticamente tudo.
Sete masmorras para explorar
Os maiores desafios da aventura estão distribuídos por sete dungeons, cada uma construída ao redor de um tema, mecânicas próprias e um item-chave. A estrutura ajuda a dar uma sensação de progressão e cada masmorra funciona como um tipo de quebra-cabeça interligado, no melhor estilo Zelda de ser.
Não se trata unicamente de entrar, derrotar inimigos e encontrar a saída. Os puzzles têm papel de destaque na progressão, forçando o jogador a prestar atenção ao ambiente. Essa combinação de exploração, enfrentamento e enigmas é justamente o que faz Isle of Reveries funcionar melhor quando comparado a uma aventura puramente focada em ação.
Embora os puzzles sejam o grande destaque, Lief também precisa confrontar inimigos durante a jornada. O enfrentamento não parece querer competir com jogos especializados no gênero, funcionando mais como uma camada complementar à exploração e concedendo momentos de ação entre um enigma e outro.
O diferencial fica outra vez na habilidade de duplicação. Saber desfrutar os objetos avistados através do cenário pode ser tão importante em uma batalha quanto em um puzzle. Isso ajuda a impedir que os diferentes sistemas do jogo pareçam desconectados: exploração, puzzles e enfrentamento fazem parte da mesma lógica.
Outro elemento interessante é que Lief não fica simplesmente atravessando a ilha. Durante a aventura, personagens poderão ser resgatados e levados para uma cidade em desenvolvimento. Conforme novos moradores chegam, o jogador pode construir edifícios e transformar o local em uma comunidade.
O município não funciona unicamente como um espaço decorativo. Os personagens oferecem novas missões e histórias, produzindo motivos adicionais para voltar entre uma expedição e outra; essa estrutura acrescenta uma camada de progressão bastante agradável. A ilha muda conforme o jogador avança, fazendo com que suas ações tenham um impacto visível no mundo.
Uma aventura com forte inspiração retrô
Visualmente, Isle of Reveries não esconde suas influências. A proposta é claramente inspirada pelas aventuras de Link no Game Boy, mas o jogo utiliza personagens antropomórficos e uma direção artística própria para construir sua identidade.
A escolha de uma coruja como personagem principal também ajuda. Lief é um personagem visualmente marcante e combina naturalmente com a ideia de atravessar grandes regiões, explorar lugares esquecidos e descobrir os segredos da ilha.
A combinação de oito biomas, sete dungeons, puzzles, enfrentamento, exploração e construção da cidade faz com que Isle of Reveries tenha uma estrutura consideravelmente mais robusta do que aparenta. Cada componente tem uma função dentro da progressão e o jogo consegue alternar entre atividades sem abandonar sua identidade.
A exploração leva aos puzzles, os puzzles ajudam a avançar pelas dungeons, as dungeons liberam novas possibilidades e os personagens resgatados alimentam o desenvolvimento da cidade. É um ciclo bastante tradicional, mas executado de maneira coesa.
O que poderia ser melhor?
A própria proposta também evidencia algumas limitações. O enfrentamento é claramente secundário e quem procura uma experiência de ação mais elaborada pode considerá-lo simples demais. Da mesma forma, a estrutura inspirada nos clássicos pode fazer com que alguns puzzles pareçam familiares para jogadores acostumados ao gênero.
A mecânica de duplicação é a principal responsável por dar mais personalidade ao jogo, mas sua efetividade depende da qualidade das interações que o jogador encontra durante da campanha. Quando os objetos são usados de maneiras criativas, a experiência brilha; quando a solução é mais convencional, a fórmula perde parte do encanto.
Isle of Reveries é uma aventura retrô bastante charmosa. Não é uma experiência revolucionária, mas também não precisa ser. Ele entende muito bem a nostalgia das aventuras clássicas e consegue combiná-lo com uma ideia suficientemente interessante para sustentar sua jornada. Para quem gosta de aventuras retrô, exploração e puzzles criativos, é uma viagem que merece atenção.
Com informações de Portal do Nerd

