O fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, foi o convidado especial do ex-vereador de Sumaré Willian Souza na primeira edição do projeto Parada Política. O encontro ocorreu na noite de quinta-feira (16), na sede do Diretório Municipal do PT, na Avenida Soma, e juntou dezenas de militantes e simpatizantes do campo progressista para uma roda de dialoga com o ex-ministro.
Análise política e desafios do PT
Ao longo do evento, José Dirceu analisou a situação atual do PT e dos partidos de esquerda na área, que perderam espaço para legendas de centro e direita nas últimas eleições para prefeito e vereadores.
“Nós passamos de 2013 a 2019 reprimidos por uma operação político-jurídica, a ‘Lava Jato’. Isso deixou muito espaço para a direita crescer. Mas nossa experiência de governo é bem sucedida, em cidades como Sumaré, Hortolândia, Campinas, Piracicaba. Isso é uma construção. Temos sim condições de (eleger prefeito e deputados) no interior de São Paulo. Estamos vivendo um outro momento, há agora um reequilíbrio”, afirmou.
Cenários para as eleições de 2026
Dirceu também abordou as perspectivas para as próximas eleições estaduais e federais. Segundo ele, o PT preserva alianças com o PSB e outras siglas que fazem parte a base de apoio ao presidente Lula.
“Em São Paulo, temos uma aliança com o PSB e com os partidos que estão apoiando o presidente Lula, e podemos construir uma candidatura do PT ou de um dos partidos (desse grupo). Isso vai depender muito agora de quem vai ser candidato a governador de São Paulo: o Tarcísio (de Freitas) vai ser candidato a governador ou a presidente da república? Acredito que entre fevereiro e março tudo isso vai ser resolvido”, acrescentou o ex-ministro.
Ao comentar o cenário nacional, Dirceu completou: “A tendência é o presidente Lula ser o candidato (à reeleição), a aliança está construída e é muito sólida. Estamos definidos, a chapa é Lula e (Geraldo) Alckmin. A direita não, a direita está dividida, tem vários candidatos, não sabe o que fazer com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo está indeciso”.
O projeto Parada Política
De acordo com o ex-vereador Willian Souza, o projeto foi idealizado como “um novo espaço de diálogo e reflexão sobre o Brasil e o cenário político atual”. O acontecimento será periódico e vai unit nomes da política, cultura, música e artes para debater, de forma leve e acessível, temas que fazem parte do cotidiano.
A proposta, segundo Willian, é “aproximar o público de diferentes visões e experiências, criando um ambiente plural, democrático e de troca de ideias, fortalecendo o debate público e incentivando a participação popular na construção de uma sociedade mais consciente e participativa”.
Trajetória de José Dirceu
José Dirceu de Oliveira e Silva, de 79 anos, é advogado e chefia histórica do Partido dos Trabalhadores. Foi deputado estadual e federal por São Paulo e ministro-chefe da Casa Civil durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2005.
Iniciou sua militância como chefe estudantil entre 1965 e 1968, momento em que foi detido por órgãos de repressão da ditadura militar durante um congresso da União Nacional dos Alunos (UNE). Foi deportado em 1969 e regressou ao Brasil em 1971, ainda na clandestinidade. Em 1979, foi beneficiado através da Lei da Anistia e retomou a vida pública, amparando na fundação do PT em 1980.
Elegeu-se deputado estadual em 1986 e deputado federal em 1990, voltando à Câmara em 1998 e 2002. Em 2005, foi acusado por Roberto Jefferson de ser o “mentor” do Escândalo do Mensalão e teve o mandato cassado por quebra de decoro parlamentar.
Em 2012, foi condenado através do Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa e, em 2016, de novo condenado no âmbito da Operação Lava Jato. No mês de outubro de 2024, todas as condenações relacionadas à Lava Jato foram anuladas através do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em Sumaré, ex-ministro José Dirceu defende ‘retomada’ do PT no interior de São Paulo e candidaturas próprias
Com informações de Tododia
