A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (12) a Operação Coffee Break, que apura supostas fraudes em licitações públicas, desvios de recursos e corrupção envolvendo contratos nas regiões de educação e gestão pública em Sumaré e Hortolândia. As investigações apontaram indícios de crimes contra a Gestão Pública, incluindo fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, além de superfaturamento e tráfico de influência.
A ação mobilizou equipes em São Paulo, Paraná e no Distrito Federal, e incluiu 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva, expedidos através da 1ª Vara Federal de Campinas.
Na Área Metropolitana de Campinas (RMC), foram 19 mandados de busca e três de prisão, cumpridos nos municípios de Hortolândia, Sumaré, Limeira e Piracicaba. A operação contou com o suporte da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Vice-prefeito de Hortolândia é apreendido
O vice-prefeito de Hortolândia, Cafú César (PBS), foi detido através da Polícia Federal durante o cumprimento dos mandados. A Prefeitura Municipal confirmou a prisão. Também houve buscas e apreensões no Paço Municipal, sede da Prefeitura.
Em informe oficial, a gestão informou que “a prisão do vice-prefeito foi confirmada pela Secretaria de Assuntos Jurídicos” e que a gestão acompanha o caso. Uma segunda servidora municipal, ligada à área de contratos, também teria sido conduzida à sede da PF em Campinas, mas a informação ainda não foi confirmada através da Prefeitura. A Polícia Federal não deu detalhes sobre as prisões, exclusivamente sobre a operação em si.
De acordo com a PF, as investigações apuram irregularidades em licitações e contratos firmados para o fornecimento de materiais didáticos e de robótica em redes municipais de ensino.
A reportagem TV TODODIA entrou em contato com Ralph Tórtima, advogado que assumiu a defesa de Cafú. Ele informou que “está solicitando acesso aos autos e que somente se manifestará após conhecimento das investigações”.
Mandados e apreensões em Sumaré
Em Sumaré, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no Paço Municipal, na Rua Dom Barreto, e no Arquivo Público Municipal, na Rua Antônio Pereira de Camargo, ambos vinculados à Prefeitura.
Os policiais recolheram documentos relacionados a contratos de fornecimento de livros e kits de robótica firmados em 2020, durante a gestão anterior. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), existe indícios de superfaturamento, corrupção ativa e passiva e tráfico de influência.
Prefeitura de Sumaré diz colaborar e nega envolvimento da atual gestão
Em informe, a Prefeitura de Sumaré afirmou que o procedimento “tem como foco contratos firmados em 2020, referentes à gestão anterior, e não diz respeito à atual administração”.
A nota destaca ainda que o município “colabora integralmente com as autoridades, disponibilizando toda a documentação e informações solicitadas” e que “a medida possui caráter exclusivamente investigativo, sem qualquer juízo de valor sobre eventuais responsabilidades”.
A atual gestão comprovou “compromisso com a ética, a transparência e a boa administração dos recursos públicos”, informando que todos os serviços municipais continuam funcionando normalmente.
Outras cidades e crimes investigados
Na área de Piracicaba, a PF cumpriu oito mandados de busca e um de prisão, enquanto em Limeira houve buscas em endereços ligados a contratos públicos.
Conforme a CGU, as investigações reconheceram indícios de crimes contra a gestão pública, como fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, superfaturamento e lavagem de dinheiro. Também são apurados peculato, tráfico de influência, contratação direta ilegal e formação de planejamento criminosa.
Sem relação com a Operação Overclean
A Prefeitura Municipal de Sumaré ressaltou que a ação não tem relação com a Operação Overclean, outra investigação da Polícia Federal que apura supostos desvios e fraudes em contratos de limpeza pública em estados da área Centro-Oeste.
Neste caso, o secretário municipal de Educação de Sumaré, Danilo de Azevedo Costa, foi alvo de busca e apreensão e fica afastado do cargo desde o dia 6 de novembro. Ele assumiu o exclusivamente neste ano, já durante a atual gestão.
Próximos passos da investigação
As pessoas apreendidas serão interrogadas através da Polícia Federal e conseguirão responder por crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e planejamento criminosa.
O MPF e a CGU continuam analisando o material confiscado para detalhar o envolvimento dos investigados e determinar se houve prejuízo aos cofres públicos.
*Atualizado às 13h53.
Entenda a operação da PF que prendeu o vice-prefeito de Hortolândia e cumpriu mandados no município e em Sumaré, Limeira e Piracicaba
Com informações de Tododia
