O Metrópoles Endurance chega em Brasília no final de março para empolgar a capital com um final de semana dedicado aos esportes de resistência. Nos dias 28 e 29, o Pontão do Lago Sul será palco de provas de triatlo, aquathlon e travessia em águas abertas, e a preparação mental é essencial no universo do endurance, com esportes que desafiam o corpo e o psicológico incessantemente. Veja a seguir dicas para se preparar mentalmente para o acontecimento.
Os cadastramentos para o acontecimento já estão disponíveis e precisam ser realizadas na Bilheteria Digital.
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Para a psicóloga Karoline Miranda, professora universitária e terapeuta BodyTalk, o desempenho no triatlo vai muito além da força física: passa, sobretudo, através da integração entre corpo, mente e propósito.
Segundo Karoline, o esportista não “tem” um corpo, ele “é” um corpo. Por isso, a preparação mental é o elo que conecta esforço físico à vontade.
“A mente atua como uma bússola que dá sentido ao esforço. Sem uma base emocional sólida, o corpo torna-se apenas uma máquina, e máquinas falham sob pressão”, explica a psicóloga. Em provas longas, como no triatlo de média e longa distância, o desgaste é muscular. “O emocional também entra em jogo. Medo do que ainda está por vir ou frustração por erros já cometidos podem pesar mais que o cansaço físico. A orientação é acolher a vulnerabilidade. Em vez de lutar contra a exaustão, o atleta deve dialogar com ela e resgatar sua motivação intrínseca”, fala.
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Esportistas do triatlo na 1ª edição do Metrópoles Endurance
Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
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Esportistas competem na prova Triathlon Standard no Metrópoles Endurance
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Psicóloga Karoline Miranda, professora universitária e terapeuta BodyTalk
Reprodução/Arquivo pessoal
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Os esportistas do triatlo chegaram animados para o terceiro dia do Metrópoles Endurance.
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Para a especialista, muitas desistências acontecem primeiro na mente. Quando o esportista perde o sentido da prova, a dor física se torna insuportável. Por outro lado, quando existe harmonia emocional, é capaz ressignificar o sofrimento como parte do processo de crescimento e superação.
Manter o foco durante horas de competição exige presença plena. Para Karoline, a estratégia é “fatiar” a prova: ao invés de pensar nas três horas através da frente, concentrar-se na próxima braçada, na próxima pedalada ou no próximo quilômetro. Uma esportista relatou à psicóloga que, em subidas longas, prefere focar na roda da bicicleta girando — e não em quanto ainda falta para chegar ao topo.
Ansiedade, pensamentos negativos e imprevistos Antes da largada, técnicas de respiração, sono ideal e alimentação equilibrada ajudam a controlar a ansiedade. A prática da ancoragem — sentir os pés no chão e notar o ambiente ao redor — diminui pensamentos catastróficos. O nervosismo pode ser reinterpretado como sinal de que aquela prova é importante.
Durante momentos de dor extrema, a direção não é suprimir pensamentos negativos, mas observá-los. “Eu estou tendo um pensamento de que não vou conseguir, mas eu não sou esse pensamento”, sugere a psicóloga. A autocompaixão substitui o julgamento e preserva energia mental.
Já diante de imprevistos, como um problema mecânico ou uma transição ruim, entra em cena a chamada “flexibilidade existencial”. Ao contrário de lamentar o que saiu do planejado, a pergunta deve ser: “Dada esta nova situação, qual é a melhor escolha que posso fazer agora”, orienta Karoline.
Treino mental deve serdiário Assim como o físico, o preparo psicológico precisa ser treinado de forma sistemática. Ele ocorre nos treinos longos, na escuta interna e na celebração de pequenas conquistas. Práticas como mindfulness, diário emocional de treinos e técnicas integrativas — como o BodyTalk — ajudam o esportista a reconhecer padrões de pensamento e amplificar o diálogo interno.
A visualização também é uma ferramenta poderosa. O cérebro reage de forma semelhante a experiências reais e intensamente imaginadas. Por isso, a recomendação é visualizar não exclusivamente a vitória, mas também os momentos difíceis — sentindo o cheiro da água, o vento na face, o som da torcida — e imaginando-se superando cada desafio com calma e técnica.
Resiliência Para Karoline, a resiliência nasce quando o esportista encara o treino como um espaço de encontro com a própria força. Cada sessão longa é uma oportunidade de praticar paciência, aceitação e autoconhecimento.
“A resiliência se desenvolve quando encaramos o treino não como um fardo, mas como um espaço de encontro com a nossa própria força. É o conceito de “tornar-se quem se é” através do esforço. Cada treino longo é uma oportunidade de praticar a paciência e a aceitação do processo, construindo uma base interna inabalável para o dia da competição”, diz a profissional.
Esta é mais uma competição esportiva realizada através do Metrópoles. A estreia ocorreu com o Endurance, em disputas de triatlo, aquathlon e natação em águas abertas; em seguida, o Cycling tomou conta das ruas do Eixo Monumental.
No mês de setembro, foi feita a Meia Maratona Metrópoles, primeiro acontecimento exclusivamente de corrida. Já o Metrópoles Run ocorreu no dia 21 de dezembro e agrupou competidores de todas as idades. Além do Metrópoles Endurance, no mês de março os competidores também concorrerão o Metrópoles Endurance – Corrida.
Com informações Metropoles

