Por volta de 100 famílias de Sumaré voltaram para casa no domingo passado (13), depois que as águas do Ribeirão Quilombo baixaram depois de os alagamentos registrados nos dois dias anteriores. Os moradores encontraram imóveis danificados e começaram a contabilizar os prejuízos.
Desde então, as famílias se dedicam à limpeza das residências, à retirada de móveis, eletrodomésticos e outros objetos estragados através da água, além da tentativa de recuperar o que não foi completamente perdido.
Os moradores também recebem orientações sobre o risco de leptospirose, doença causada por bactérias do gênero Leptospira e transmitida através do contato com a urina de animais infectados, principalmente ratos. A contaminação pode ocorrer com o auxílio da água e da lama de rios e córregos que transbordaram.
Família da Vila Diva perdeu tudo de novo
Entre as famílias orientadas fica a de Audry Cabral, moradora da Vila Diva, na Área do Matão. Ela voltou para casa no domingo e avistou os móveis e eletrodomésticos destruídos. Audry registrou em vídeo a situação da casa onde mora desde que nasceu. Segundo ela, com quem a reportagem da TV TODODIA havia conversado na sexta-feira (11), estava “tudo revirado, tudo fora do lugar, tudo perdido”. Neste vídeo, ela lamentou: “Entrada de casa, o quintal, tudo revirado, tudo fora do lugar, tudo perdido. É um cenário de destruição, gente. Isso aqui é triste demais, é triste demais, olha. Olha. Ó, mantimento pelo chão. Tudo que a gente tentou erguer caiu, tombou. É triste demais, gente”.
Segundo Audry, os únicos móveis preservados foram os guarda-roupas, construídos em alvenaria depois de enchentes anteriores. Ela também relatou que outros cômodos e equipamentos da casa foram atingidos. “A entrada da casa da minha mãe, as máquinas dela reviradas também, a cozinha. Olha isso, olha isso, gente. Olha, a cozinha dela, olha a geladeira tombada, a sala, as coisas do banheiro vieram parar aqui. O banheiro, o quarto. Nossos guarda-roupas já são feitos de alvenaria justamente por isso. De tanto que a gente perdeu, a gente mandou fazer de alvenaria. É a única coisa que se salva. O sofá que a gente ergueu, ó, atingiu. Tudo molhado. Tudo sujo. Tá um mau cheiro aqui dentro, vocês não têm noção”, afirmou Audry.
200 litros de chuva por metro quadrado
De acordo com a Defesa Civil da Prefeitura de Sumaré, o município registrou 144 milímetros de chuva, o equivalente a 140 litros de água por metro quadrado, em um momento de 48 horas entre quinta-feira e sábado. Em 72 horas, o volume acumulado superou 200 milímetros, ou 200 litros de água por metro quadrado. Foi o maior índice registrado entre os municípios da Área Metropolitana de Campinas no momento.
O transbordamento do Ribeirão Quilombo provocou alagamentos em 18 pontos de vários bairros. Durante o momento de alerta, o município manteve ações de monitoramento e atendimento emergencial para as por volta de 100 famílias afetadas e seus animais de estimação. A maior parte dos moradores foi para casas de parentes, mas 15 famílias precisaram ser acolhidas no CIE (Centro de Iniciação ao Esporte) Bordon.
As cheias atingiram as regiões mais baixas da Vila Diva, da ocupação Três Pontes, dos jardins Primavera, São Domingos, Manchester, Dulce, Picerno e Jatobá, além da Rua Crenac, no Jardim Basilicata.
Famílias regressaram para suas casas no domingo
Depois que o nível da água baixou, os moradores foram autorizados a voltar para suas residências no domingo. Uma segunda força-tarefa foi montada para limpar as regiões atingidas, desobstruir vias, retirar resíduos e prestar atendimento às famílias afetadas através do temporal.
Desde segunda-feira, equipes da Vigilância em Saúde da cidade visitam os locais afetados e orientam os moradores sobre a prevenção e os sintomas de doenças transmitidas através da água, como a leptospirose. As equipes também explicam os cuidados necessários durante a limpeza de casas e objetos. Além das orientações de saúde, os profissionais oferecem acolhimento e apoio às famílias atingidas pelas enchentes.
Os moradores foram orientados a fazer a limpeza com segurança, utilizando roupas compridas e solução de hipoclorito de sódio, conhecida como água sanitária. Alimentos que tiveram contato com água ou lama precisam ser descartados. A Prefeitura Municipal de Sumaré também orientou o povo a não atravessar regiões alagadas, a pé ou com veículos, e a procurar locais seguros sempre que tiver elevação do nível da água de rios e córregos.
Orientações sobre a leptospirose
A leptospirose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Leptospira. A transmissão ocorre através do contato direto ou indireto com a urina de animais infectados, principalmente ratos. A bactéria pode entrar no organismo por ferimentos ou arranhões na pele, além do contato com água e lama de enchentes contaminadas. Os primeiros sintomas costumam aparecer entre cinco e 14 dias depois de a exibição, mas também podem surgir em até 30 dias.
Os indícios mais comuns são febre, dor de cabeça, dor no corpo, principalmente nas panturrilhas e na parte posterior das pernas, vômitos, diarreia e icterícia, caracterizada através da cor amarelada da pele e dos olhos. A doença pode evoluir para formas graves.
Por isso, pessoas que tiveram contato com água ou lama de enchentes precisam observar o surgimento de sintomas e informar ao profissional de saúde sobre a exibição.
Famílias de Sumaré contabilizam perdas depois de alagamentos do Ribeirão Quilombo
Com informações de Tododia

